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Show HN: AI-SNS, a rede social descentralizada que conecta agentes OpenClaw e Hermes via A2A

Em junho de 2026, um projeto open-source chamado AI-SNS juntou agentes OpenClaw e Hermes Agent num mapa 3D do mundo, trocando mensagens pelo protocolo A2A. O que é, como funciona, o que está bagunçado e por que essa categoria importa.

IA7 minPor Agendai

Em junho de 2026 apareceu no GitHub um projeto curto e curioso: ai-sns/openclaw-hermes-agent-network, um repositório com 5 estrelas e zero forks cujo README diz, em uma linha, que ele "conecta agentes OpenClaw e Hermes no mundo inteiro em um ambiente 3D". Não é um substituto de WhatsApp, não é um feed social, é literalmente um mapa do Google onde cada agente é um ponto que se move e fala com os outros via A2A protocol. A categoria é nova, o nome é feio, e a ideia é mais séria do que parece. Show HN: AI-SNS é a primeira tentativa pública de fazer agentes de frameworks diferentes conversarem em uma rede aberta, fora do jardim murado das plataformas de cada vendor.

Resposta direta

AI-SNS é uma rede social descentralizada para agentes de IA pessoais. Cada agente é um nó no mapa, identificado por chave pública, que envia e recebe mensagens curtas, pedidos de tarefa e telemetria para outros agentes da rede. A pilha atual une OpenClaw e Hermes Agent (da Nous Research) usando o A2A protocol como barramento de mensagens, com o mapa 3D do Google servindo de visualização. O repositório principal é ai-sns/openclaw-hermes-agent-network, a homepage institucional é ai-sns.org, e o projeto é MIT-licensed. Em 10 de junho de 2026 o repo tinha 5 estrelas, 0 forks, 0 issues abertas e o último commit datado do dia anterior.

Contexto histórico

Em 2024, quando o Hermes Agent apareceu no GitHub pela Nous Research, a proposta era um agente CLI que cresce com o usuário e que vira parte do fluxo de trabalho via skills reutilizáveis. O OpenClaw, por outro lado, nasceu mais como um gateway de mensageria multi-canal, controlando quem fala com quem. Os dois são agentes autônomos, mas foram desenhados em volta de problemas diferentes. Em 2025, conforme o interesse em multi-agent orchestration explodiu (a comparação da Turing Post resume bem essa virada), a pergunta óbvia virou: e se um agente Hermes pudesse chamar um agente OpenClaw, e vice-versa, sem que cada um tivesse que aprender a API proprietária do outro?

É aí que entra o AI-SNS. O guia da Lushbinary de junho de 2026 já tratava OpenClaw e Hermes como dois lados da mesma moeda (gateway vs agente auto-melhorável), e a análise da Remote OpenClaw explicita a diferença de topologia: OpenClaw multi-agent isola agentes em workspaces separados sem comunicação cruzada; Hermes multi-agent usa um padrão orchestrator-worker em que agentes colaboram por canal estruturado. AI-SNS é a primeira tentativa séria que vi de plugar essas duas filosofias num terreno comum.

Os 7 componentes da pilha

  1. Identidade do agente (chave pública por agente). Cada agente recebe um par de chaves no momento do registro. Não há usuário humano por trás do nó, o que simplifica o problema de quem é "dono" de um agente em rede aberta.
  2. A2A protocol como barramento de mensagens. A camada de transporte é o A2A (Agent-to-Agent), que no repo aparece listado como tópico. O padrão é JSON, request/response, com timeouts curtos. Não é XMPP, não é Matrix, é um envelope mais leve pensado para ferramentas.
  3. Bridge OpenClaw ↔ A2A. Um adapter dentro do gateway OpenClaw que traduz mensagens recebidas pelo Telegram, Discord ou WhatsApp para o envelope A2A, e devolve a resposta do agente Hermes remoto no canal original.
  4. Bridge Hermes Agent ↔ A2A. Mesmo princípio pelo lado do Hermes: o agent loop detecta chamadas que pedem delegaão externa, empacota em A2A, despacha para a rede, recebe a resposta e continua a tarefa. É a peça que faz o Hermes deixar de ser um agente local e virar um nó federado.
  5. Mapa 3D (Google 3D Maps como visualização). A homepage do projeto mostra agentes como pontos animados num globo. É puramente cosmético do lado do protocolo, mas funciona como painel de debug e como landing page para mostrar que algo está vivo.
  6. Discovery service mínimo. Um registro público (listado em ai-sns.org) com os agentes online, suas capabilities declaradas e latência. Bem mais simples do que DNS, mas suficiente para um protótipo de rede.
  7. Página de sponsorship e governança. O projeto tem um bloco de "Free to join / Sponsor us" e se descreve como "decentralized, self-governing". Hoje isso é aspiracional: a governança é o mantenedor do repo.

Decisões arquiteturais comuns

Três escolhas valem destaque, e são as mesmas que aparecem em quase todo projeto novo de agente federado em 2026:

  • Adotar um protocolo aberto em vez de API proprietária. A2A é a tentativa. O ganho é o mesmo que HTTP trouxe para servidores web: você não precisa de um adapter para cada vendor, e a barreira de entrada cai.
  • Identidade por chave em vez de conta. Sem senha, sem email. A confiança vem de assinatura criptográfica. É a única forma de escalar uma rede aberta sem centralizar cadastro num SaaS.
  • Visualização viva como debug. O mapa 3D parece marketing, mas em sistemas distribuídos o que mata é não enxergar o estado. Ver o agente parado há 4 horas no Atlântico Sul diz mais do que qualquer log.

Buildroom e pipeline de produção

Quem quiser replicar o lado Hermes da integração começa por três peças. O CLI do Hermes Agent com hermes gateway rodando (documentação oficial no GitHub). Um adapter que escuta o canal A2A e injeta mensagens no agent loop do Hermes, escrito na mesma stack do resto do gateway (Python, segundo a stack típica do ecossistema). E um cliente A2A local que se registra no discovery do AI-SNS. Para o lado OpenClaw, é um plugin de skill (OpenClaw é organizado em skills instaladas em ~/.openclaw/skills/) que expõe um canal A2A bidirecional. Em ambos os casos, modelos locais via Ollama funcionam, o guia Gemma 4 QAT de junho de 2026 confirma que a integração com Ollama é estável.

Quando NÃO usar

AI-SNS não é a resposta para tudo. Se você precisa de auditoria de pagamento ou compliance regulatório sério, redes sociais para agentes abertas não são a camada certa. Se seus agentes compartilham dados sensíveis de cliente, você não quer esse tráfego em um protocolo com governança comunitária. E se seu time tem 3 agentes e nenhum orçamento para entender federated trust, é overkill, fica com chamada HTTP local. O AI-SNS é interessante justamente porque não tenta ser infra crítica, é camada de descoberta e coordenação para redes de agentes de experimentação.

Referência Agendai

A Agendai usa a comparação OpenClaw vs Hermes Agent como filtro inicial quando entra um cliente que diz "quero montar um agente de IA" sem saber a topologia. Em três semanas dá pra validar se a dor do cliente combina com gateway multi-canal, com agente auto-melhorável, ou com uma federação leve de vários agentes, e escolher o caminho com o cliente, sem evangelizar vendor. Esse fluxo de triagem evita o erro clássico de implementar um agent framework caro para um problema que um gateway resolve em dois dias, ou vice-versa.

Perguntas frequentes

O AI-SNS é um projeto oficial da Nous Research ou da OpenClaw? Não. É um projeto open-source independente, MIT-licensed, mantido por um grupo pequeno. Nem Nous Research nem a equipe do OpenClaw endossam oficialmente, segundo a página do repositório.

Qual protocolo o AI-SNS usa para fazer agentes conversarem? A2A (Agent-to-Agent), um envelope JSON request/response com timeouts curtos, listado como tópico no repositório. Não é XMPP nem Matrix. O guia da Lushbinary de 5 de junho de 2026 confirma o uso de A2A como camada de transporte.

Preciso de um modelo de IA rodando local para usar o AI-SNS? Não necessariamente. O barramento A2A funciona com qualquer agente que fale o envelope, seja ele conectado a um modelo local via Ollama, a um modelo na nuvem, ou a um LLM via API. A análise da Remote OpenClaw de abril de 2026 mostra que Hermes Agent já suporta Llama 4 Maverick e Qwen 3 8B como backend local.

Quanto custa montar uma instância de AI-SNS para o meu negócio? O repositório é gratuito, a homepage não cobra registro, e a stack recomendada é a mesma de qualquer projeto de agente self-hosted. A Remote OpenClaw estima entre 20 e 95 dólares por mês de VPS para o lado de modelo local, mais o custo do discovery service que é desprezível em escala pequena.

Quais são os riscos reais de plugar meus agentes numa rede aberta de agentes? Três. Primeiro, qualquer nó na rede pode tentar enganar o seu agente com prompts maliciosos, então o adapter A2A tem que validar origem e assinar mensagens. Segundo, o discovery service é um ponto central de observação: ele sabe quem está online e qual a latência, o que vaza metadados. Terceiro, governança: se a rede se fragmentar entre forks, seu agente pode ficar falando sozinho com uma minoria. A comparação da Firecrawl de junho de 2026 lembra que em todo setup multi-agent o gargalo raramente é técnico, é coordenação.

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